Tive que postar, um pouco por culpa do Gabriel (prefere G.?), outro pouco por culpa de eu ver que a última postagem foi de 2 de novembro de 2008, ou seja, pouco mais de um ano (!) atrás. Já não faço mais aula de dança, já não chove mais, já não namoro mais a Bruna, mas ainda há roupa no varal e ainda tenho saudade de BH (falei dela ontem!).
Do mais, tudo na paz. Atolado em trabalhos acadêmicos, profissionais, indiretos, domésticos, e segue.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
domingo, 2 de novembro de 2008
nothing better.
O título é uma música do The Postal Service, antiguinha já, mas que eu gosto um bocado.
Ontem fizemos, eu e Bruna, a primeira aula de dança, foi divertido como eu esperava que seria. Houve um pequeno tremor no início, na verdade durante toda a aula, mas eu sou assim mesmo.
Hoje o dia está cinza, e a chuva brinca de molhar minhas roupas lavadas. Não sei se é a chuva, se é a música ou o relógio, mas lembrei de Belo Horizonte, finais de tarde de horário de verão em dias que chovia. Apesar de tudo, eu gosto muito daquela cidade, gostaria de passar uns dias por lá de novo. Mas este fim de ano pretendo beijar o Rio de Janeiro.
Neste domingo estou com vontade de sábado.
Ontem fizemos, eu e Bruna, a primeira aula de dança, foi divertido como eu esperava que seria. Houve um pequeno tremor no início, na verdade durante toda a aula, mas eu sou assim mesmo.
Hoje o dia está cinza, e a chuva brinca de molhar minhas roupas lavadas. Não sei se é a chuva, se é a música ou o relógio, mas lembrei de Belo Horizonte, finais de tarde de horário de verão em dias que chovia. Apesar de tudo, eu gosto muito daquela cidade, gostaria de passar uns dias por lá de novo. Mas este fim de ano pretendo beijar o Rio de Janeiro.
Neste domingo estou com vontade de sábado.
sábado, 11 de outubro de 2008
bla bla.
Enfeito as paredes em torno de mim, para fazer delas um pouco minhas.
No entanto, não consigo me enganar, estas paredes não me pertencem, foram erguidas antes de mim e permanecerão depois de mim.
Mesmo assim vou enfeitando-as, um souvenir aqui, uma fotografia acolá.
Invejo a juventude de antes, e quando for mais velho, invejarei esta aqui. Julgarei-me um idiota, e mais uma vez será apenas reclamação sem nenhum efeito.
Às vezes sinto-me um tolo identificando pedaços em filmes, um trejeito, um pensamento, uma covardia.
São tantas as covardias, tantas que parece até que todo sentimento se resume em um tipo covardia, afirmar uma coisa é sempre negar outra.
Tomei decisões e seguirei-as, mas isso não quer dizer que deixarei de arrepender-me, só deixo isso para os assuntos que trato comigo mesmo, ou para outros quando meio fora de mim.
blá blá blá.
No entanto, não consigo me enganar, estas paredes não me pertencem, foram erguidas antes de mim e permanecerão depois de mim.
Mesmo assim vou enfeitando-as, um souvenir aqui, uma fotografia acolá.
Invejo a juventude de antes, e quando for mais velho, invejarei esta aqui. Julgarei-me um idiota, e mais uma vez será apenas reclamação sem nenhum efeito.
Às vezes sinto-me um tolo identificando pedaços em filmes, um trejeito, um pensamento, uma covardia.
São tantas as covardias, tantas que parece até que todo sentimento se resume em um tipo covardia, afirmar uma coisa é sempre negar outra.
Tomei decisões e seguirei-as, mas isso não quer dizer que deixarei de arrepender-me, só deixo isso para os assuntos que trato comigo mesmo, ou para outros quando meio fora de mim.
blá blá blá.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Raduan Nassar - O Ventre Seco.
Eu tenho que comprar um livro desse senhor.
(...)
" 5. Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências."
(...)
"15. Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. (...) Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".".
Não é ducaralho?
(...)
" 5. Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências."
(...)
"15. Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. (...) Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".".
Não é ducaralho?
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
L'âge des ténébres.
Acabei de assistir a esse filme, o título em português saiu como "A era da inocência".
Nele é narrada a história de um funcionário público (olha o Maupassant sorrindo no túmulo), que têm consciência da sua insignificância e para fugir da realidade em que vive - com uma mulher que só trabalha, as filhas que mal se dão conta da sua existência e seu único elo familiar, sua mãe, que está internada em um hospital com uma doença que a faz parecer estar em outro mundo - imagina casos e relações com outras mulheres, mas mesmo assim, não consegue com isso completar o vazio que sente.
O filme se passa no Quebec e como pano de fundo expõe algumas práticas estúpidas da burocracia social - tão conhecida por aqui - de forma bastante irônica.
Apesar o assunto parecer ser discutido há tempos, acredito que o sentimento de mundo da nosso tempo é mesmo esse: um vazio que cada vez mais ganha espaço dentro do indivíduo, pouco a pouco vamos nos isolando mais em busca da nossa identidade e quanto mais perto chegamos, menos gostamos do que vemos.
Nele é narrada a história de um funcionário público (olha o Maupassant sorrindo no túmulo), que têm consciência da sua insignificância e para fugir da realidade em que vive - com uma mulher que só trabalha, as filhas que mal se dão conta da sua existência e seu único elo familiar, sua mãe, que está internada em um hospital com uma doença que a faz parecer estar em outro mundo - imagina casos e relações com outras mulheres, mas mesmo assim, não consegue com isso completar o vazio que sente.
O filme se passa no Quebec e como pano de fundo expõe algumas práticas estúpidas da burocracia social - tão conhecida por aqui - de forma bastante irônica.
Apesar o assunto parecer ser discutido há tempos, acredito que o sentimento de mundo da nosso tempo é mesmo esse: um vazio que cada vez mais ganha espaço dentro do indivíduo, pouco a pouco vamos nos isolando mais em busca da nossa identidade e quanto mais perto chegamos, menos gostamos do que vemos.
sábado, 20 de setembro de 2008
Quinta-feira, ao ir tomar uma café na copa, ouvi uma conversa entre uma aluna e o Prof. Hansen. Falavam sobre a iniciação dela e o Hansen comentou sobre um estudo que um cara estava fazendo sobre Corpo de Baile do Guimarães onde ele estava traçando uma rota, ou algo parecido que não me lembro, usando os pontos sobre o mapa mundi e estava até usando o Google Maps... Enfim, o fato é que pensei: "Deus, que curso inútil que eu faço. O mundo acabando, guerra, pessoas com fome e eu fazendo um curso que fica estudando literatura, livros, coisas que as pessoas que estão morrendo nem sabem para que serverm...". Aí fiquei um pouco triste sabe. Pensei então que Medicina sim, isso realmente ajuda as pessoas e tal... Aí pensei de novo e percebi que ajuda porra nenhuma, basta ver a situação dos hospitais públicos. Pensei nos pesquisadores, tentando descobrir a cura do câncer... bonito isso... mas aí pensei na aula da Daniela, sobre o Nouveau Roman e o que ela disse sobre o que pensava o Camus, e pensei... "Porra, nem Medicina presta, pois para quê curar a pessoa do câncer se todo mundo vai morrer de qualquer jeito...". Aí eu achei estava exagerando e fui para a aula de Literatura Brasileira II.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
...
Sempre penso, antes de escrever, que o ato de publicar algo irá me salvar. É claro que não.
Pois nunca escrevo o que está em minha cabeça, pois temo comprometer-me de alguma forma.
Noto nestes últimos tempos que mascaro muito quando falo, e parece que tenho um certa facilidade em não demonstrar as coisas, ao contrário do que eu pensava. O grande o problema é que ainda não sei qual efeito que isso causará em mim mesmo, sei que vai ser algo próximo do devastador, pois já venho sentindo sintomas destes atos de sabotagem que pratico.
É bem mal quando sinto aquele desespero, vontade de gritar ou chorar ou de alguma forma explodir e não consigo. É estranho e dói.
Sinto falta de uma pessoa que me conhecesse há muito tempo, que me olhasse e visse o que se passa, que me entendesse, pois eu não me entendo, não sei o que está acontecendo.
Estou tentando consertar as coisas, parti do princípio de onde eu achei que comecei a errar, mas como saber se o princípio é mesmo este que escolhi? Acho que não saberei.
Sinto falta de tanta coisa, às vezes sinto falta de uma só.
Pois nunca escrevo o que está em minha cabeça, pois temo comprometer-me de alguma forma.
Noto nestes últimos tempos que mascaro muito quando falo, e parece que tenho um certa facilidade em não demonstrar as coisas, ao contrário do que eu pensava. O grande o problema é que ainda não sei qual efeito que isso causará em mim mesmo, sei que vai ser algo próximo do devastador, pois já venho sentindo sintomas destes atos de sabotagem que pratico.
É bem mal quando sinto aquele desespero, vontade de gritar ou chorar ou de alguma forma explodir e não consigo. É estranho e dói.
Sinto falta de uma pessoa que me conhecesse há muito tempo, que me olhasse e visse o que se passa, que me entendesse, pois eu não me entendo, não sei o que está acontecendo.
Estou tentando consertar as coisas, parti do princípio de onde eu achei que comecei a errar, mas como saber se o princípio é mesmo este que escolhi? Acho que não saberei.
Sinto falta de tanta coisa, às vezes sinto falta de uma só.
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